Os melhores contos brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras


Uma seleção de 100 anos das melhores narrativas curtas da ficção científica brasileira.
Grandes autores como Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Machado de Assis.
Nomes consagrados da FC nacional: Jerônimo Monteiro, André Carneiro, entre outros.

Gostei particularmente do conto "Número Transcendental" de Rubens Teixeira Scavone por tratar de umas criaturas que eu já havia encontrado na série "Torre Negra" do Stephen King: as Lúminas.

O personagem fugindo de um Sanatório em plena madrugada chega até uma praia deserta e encontra algo...
"Aquilo era apenas uma forma vagamente definida. Os contornos, os limites, eram dados por umaespécie de fluorescência cambiante que aprisionava um conteúdo escuro e menos visível ainda. [...] Aquilo estava a menos de dez metros e ia se aproximando, com a mansidão de quem flutua. [...] Aquilo parou a pequena distancia e ele pode ver prolongamentos que se moviam como tentáculos de um cefalópode. [Ele] olhou para os lados, como se libertando da atração quase hipnótica que a visão lhe impunha. Diluídas pela distância, enxergou ao longe outras manchas iguais, [...]. Observou que a fosforescência brotava das formas como se fosse um líquido pastoso que as protegia do contato direto da atmosfera, pingando sobre a areia levemente iluminada como gotas escorrendo de um círio. [...] Recuou, sentiu que aquilo possuía uma inteligencia, ou pelo menos um instinto, e não logrou conter a frase que era mais um grito, uma súplica do que uma interrogação: 
- Quem são vocês? Que querem de mim?
Não obteve resposta."


Os melhores contos brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras
Editado por Roberto de Sousa Causo - Devir Livraria - São Paulo - 2009

New Zealand Book Council


Incrível animação Stop-Motion.

O mistério da estrela (Stardust) - Neil Gaiman

Alguns livros e autores não nos empolgam muito e, por vezes, nem terminamos de ler o título até o final (eu sou compulsivo e termino de ler mesmo não gostando). Quando o escritor é muito bom e nos identificamos com ele, queremos ler todos os seus livros, os filmes baseados nestes, as entrevistas, sua biografia, a trilha sonora dos filmes, etc. Começo então aqui uma seção chamada "Livro-Filme-Trilha" onde cito alguns destes casos onde as ideias ultrapassam as folhas dos livros e precisam virar imagens, músicas, interpretações e por aí vai.

No livro em questão (Stardust) Tristan ama a jovem mais bela do vilarejo de Muralha. Para ser correspondido, ele atende aos caprichos da moça e lhe faz uma promessa quase impossível de cumprir. Uma estrela cadente que ambos vêem cair do céu valerá a mão de Vitória em casamento. A determinação de trazer a estrela para o vilarejo fará com que o rapaz burle todas as regras e siga para a Terra Encantada, onde supostamente a estrela está. Então, Tristan se vê cercado por piratas voadores, gnomos guerreiros, bruxas esquisitas e sedentas por beleza e princesas do mal. Um mundo de magia está diante dele e tem início um conto de fadas surpreendente e nada convencional.

O filme de mesmo nome foi lançado em 2007 pela Paramount. É dirigido por Matthew Vaughn e conta com os atores Robert de Niro, Michelle Pfeiffer, Claire Danes e Charlie Cox entre outros. É muito interessante assistir o filme logo após ler o livro. Claro que existem grandes diferenças na história, mas o essencial está lá, e o filme é muito engraçado e fantástico.
Um álbum interessante foi gravado em 2006 para homenagear Neil Gaiman: "Where's Neil when you need him?". Cada uma das 17 músicas é sobre um personagem ou uma obra do autor. É bom para colocar no mp3 player e ficar ouvindo depois de ter lido o livro e assistido o filme.
O Mistério da Estrela (Stardust) - Neil Gaiman - Rocco - Rio de Janeiro - 2008

O Príncipe Sapo e outras histórias - Irmãos Grimm

Dando sequencia a minha fase infantil, andei lendo por aí este livro bobinho. Contos de fadas? Historinhas para crianças pegarem no sono? Nada disso. As histórias originais contidas neste livro, escritas em 1812 pelos Irmãos Grimm, estão mais para roteiro da sequência de filmes "Jogos Mortais". Explico.
- A irmã da Gata Borralheira decepa os dois dedões dos pés tentando enganar o Príncipe fazendo com que o sapatinho lhe caiba.
- Joãozinho e Maria não se perderam na floresta. Foram abandonados pelos pais que estavam preocupados com a falta de comida dentro de casa e decidiram deixar os filhos a propria sorte.
- Em outra história um rei corta a cabeça de seus dois filhos para provar lealdade a um criado fiel que foi transformado em pedra. O sangue devolve a vida ao criado.

E por aí vai. Bobinhas são as histórias da Disney que transformam as crianças de hoje em Barbies fúteis.
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O Príncipe Sapo e outras histórias - Irmãos Grimm - L&PM Pocket - Porto Alegre - 2002

Dentinhos finos

Estou entrando no quintal da casa de uma pessoa conhecida e os dois cachorrinhos da marca Pintcher logo se apresentam latindo e rosnando. Um deles é marrom e o outro preto. "Não se preocupe, eles não mordem não." Sigo com mais algumas pessoas para os fundos da casa passando pela garagem que fica ao lado e, agora em silêncio, os cães se aproximam. Um deles se enrola no meu tornozelo. Estou de bermuda e chinelo havaianas. Tento evitar o contato gentilmente quando o cão vira o rosto para cima, me olhando diretamente nos olhos e mostra seus dentes até agora ocultos. São dentes finos e compridos como os de uma serpente. Os olhos do canino são totalmente negros e sua expressão é maligna. Me pergunto se ele está sorrindo e se aqueles dentinhos seriam venenosos e então ele vira o rosto para o lado. Deixo minha perna imóvel e ele se enrola completamente na minha canela logo acima do tornozelo onde tenho veias grossas aparentes. Parece uma cobra da família das píton. O aperto é suave mas constante. Não há folgas entre seu corpo e minha perna e a única coisa que sinto é sua respiração ritmada, o ar saindo de suas narinas movendo os pelos da minha canela. Mas não sinto dor. Percebo que este abraço é preventivo mas a lembrança dos dentinhos me deixa aflito. O dono da casa que estava mais para a frente retorna pelo corredor e pergunta porque eu estou parado. Ri vendo o cachorrinho enrolado em mim e fala que eles são assim mesmo: brincalhões. Tenta afastar o cão com o pé e ele se ajeita voltando a apertar levemente minha perna. Nesta altura o outro cachorro se enrola na outra perna sem mostras as garras. Sei que este não é mau, só está imitando seu colega canino. Entro na casa carregando os dois pesos nos tornozelos tentando não pisar em nada parecido com uma cauda ou uma pata. Ando meio trôpego com as pernas abertas agora sentindo as grossas veias de meus pés bombeando o sangue e sei que o primeiro pintcher sente isto também. Olho para baixo e ele parece estar rindo agora. Definitivamente preciso terminar logo esta visita pois sinto como se o cachorro estivesse roubando o calor de meu corpo, minha energia.

A maldição de Alaizabel Cray


Livro infanto-juvenil que mistura uma trama policial com a presença de criaturas fantásticas, os necromantes (modinha de vampiros? Sim! Lembra o filme Blade? Sim! Protagonista de 17 anos? Sim! Final feliz? Sim!). É de leitura fácil e cria uma imagem mental interessante da Londres antiga, noturna e sombria, com as pessoas andando em carruagens cortando a neblina das ruas que beiram o rio Tâmisa.
"Criaturas sinistras assombram o labirinto de becos e vielas do Distrito Velho, e os que ousam sair à noite tornam-se presas fáceis para os lobos e assassinos que infestam o lugar, bem como para criaturas ainda mais perigosas: os necromantes. No entanto, o mal que não se vê é o pior de todos; nas camadas mais altas da sociedade londrina, sob a fachada de riqueza e intenções filantrópicas, vigora um tenebroso pacto com os necromantes, que coloca em risco a existência de toda a humanidade. E, no centro de tudo, a encantadora, vulnerável e enigmática Alaizabel Cray - a chave de todo o mistério."

Chris Wooding nasceu em 1977 na pequena cidade de Leicestershire. Decidiu-se pela carreira de escritor ainda na adolescência e aos 24 anos já havia escrito 14 livros e pequenas histórias. Suas obras foram publicadas em vários países e traduzidas para vários idiomas. Atualmente vive em Londres.

A maldição de Alaizabel Cray - Chris Wooding - Arxjovem - São Paulo - 2004

Péssimos Livros de Biblioteca

Mary Kelly e Holly Hibner, duas bibliotecárias de Michigan, decidiram reunir os livros mais bizarros que encontraram na biblioteca pública em que trabalham. Criaram então o blog “Awful Library Books” (Péssimos Livros de Biblioteca). O critério usado foi o da mera diversão: obras ultrapassadas, irrelevantes, politicamente incorretas, feias ou inacreditáveis. Estão no ar títulos como “O que há de Errado com a Minha Cobra?”, “Faxina Fácil e Rápida”, “Faça Seus Próprios Caixões – Para Animais de Estimação e Pessoas”, “Paixão por Burros”, “Roupas para Deficientes Físicos” e “Guia para o Retorno do Cometa Halley”.
Trecho de uma página escaneada do livro “Convivendo com a Gravidez”, de 1975: “Com todo o respeito pela liberação feminina, alguém tem de fazer o serviço de casa e todas as outras tarefas chatas. Na verdade, o trabalho nem é tão demorado e esta foto mostra Judith usando o aspirador de pó. Vejam como ela mantém a excelente postura enquanto anda pela sala e arrasta a máquina sobre o carpete. Seus ombros estão relaxados e sua cabeça alta durante a entediante – mas ocasionalmente necessária – tarefa. Ela está atenta à postura, suportando bem o bebê com os músculos abdominais”.
À revista “Time” as autoras demonstraram-se surpresas com o sucesso do blog, que chamaram de “projeto nerd”. Apesar disso, a dupla acredita que está fazendo sua parte para encorajar autoridades a reciclarem os acervos das bibliotecas.

Visitem o site AQUI

Saudades da Delani

Era uma quinta-feira e ela chegava do cabeleireiro. A vizinha da frente, curitibaníssima com seu topete que num dia cumprimenta e no outro nem pergunta:
- Você vai ficar em casa?
No que ela respondeu com um desconfiado sim.
- Posso te pedir um favor?
- Claro.
- Estamos com um cachorrinho, ele foi traumatizado no canil, tem medo de ficar sozinho e chora muito. Eu preciso ir ao supermercado e, se ele chorar você poderia ir até a porta e falar com ele?
Impossível negar, por mais patético que venha a ser. A solidão é um bem intransferível do homem, quem não entende isto não entende nada. Minutos depois se ouve os primeiros ganidos e ela vai até a porta, se abaixa e começa uma conversa meio constrangida. O “au-au”, que não foi nomeado, responde tranqüilo e ela volta para casa. A cena se repete, acompanhada pelos risos das filhas. Na terceira, ela leva um livro, senta no capacho e lê um pouco a meia voz, murmura uns agrados e como para o ridículo é imprescindível testemunhas, passa o vizinho bonitão e diz:
- Ha ha, tá de castigo, né?
Ela sorri e acena com um positivo. O cachorrinho resolve então uivar desesperado. Não há nada mais que se possa fazer. Todas as horas seguintes serão dedicadas a pensar na impossibilidade, na dolorosa impossibilidade. Apenas o desconforto a acompanha..

SETE DE PAUS - Mário Prata


Li o livro "Sete de Paus". Uma história policial escrita em 2008 pelo Mário Prata.

Gostei de ler o livro até quase no final. Histórias policiais são um prato cheio para nosso cérebro pseudo-racional. Fiquei achando que descobri sozinho desde cedo quem era o assassino serial. Claro que foi assim que o escritor queria que eu me sentisse e permitiu/induziu isso.

No final fiquei decepcionado percebendo que o autor utiliza frases inteiras, parágrafos inteiros copiados de uns quinze autores famosos como Georges Simenon, Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle. Sim, ele assume e faz a devida citação, mas fiquei me sentindo enganado.

Mas a história é boa e agrada o leitor.

Me fez lembrar e me deu uma idéia (não vou copiar frases do livro). Uma trama policial é uma ótima maneira de prender o leitor e contar uma história. Caiu como uma luva para um texto que estou desenvolvendo.

de novo e again


a água gelada daquele jarro
tinha o gosto de algo estranho
nem tão gelada, nem tão líquida

sobre o chão de lajotas antigas
os pés descalços tocavam o limo com receio
extensão da sujeira do banheiro ou do tempo?

se usar o computador vai levar um choque e morrer
com esta possibilidade tudo se perde e agora
os sonhos não são mais reais do que sempre foram

KinderOvo com surpresa



O que leva um sujeito a comprar um carro na cor amarelo ovo?